SÉRIE: CONVERSANDO COM...
Conversando com Elizabeth Miller de Souza supervisora educacional da
Escola Estadual de Ensino Médio Dom Antônio Zattera
1 1. Professora
Beth, sabemos que a senhora tem uma rica
trajetória junto à educação pública no nosso estado. A senhora poderia nos
contar um pouco de sua vida como educadora, dos cargos que ocupou e das escolas
em que trabalhou?
- Ingressei
no Magistério Público Estadual em abril de 1978, com um contrato nas séries
iniciais do Ensino Fundamental, visto que ainda cursava Pedagogia-Habilitação
em Supervisão Escolar. Fui designada para a E.E. de Ensino Fundamental Dr.
Armando Fagundes, situada à Rua Cruz Seco, 239, Vila Gotuzzo, onde permaneci
por 23 anos. Comecei dando aula para uma turma de 2ª série do Ensino
Fundamental. Após três meses, a diretora da Escola, Profª Selma Ferreira,
encaminhou-me para a função de Supervisora
Escolar. Concursada, assumi a vice-direção da referida Escola. Lá conheci a
verdadeira amizade, companheirismo, competência e união com as Professoras
Wania Gonçalves, Izola Peluffo, Rosi Godói, Marisa Victoria, Joana Porto, entre
outras. Com a aposentadoria da diretora, assumi a Direção da Escola ficando no
cargo por 16 anos. Nesse período, em conjunto com a comunidade escolar,
realizei a passagem de nossa escola para Escola de Ensino Fundamental Completo,
pois ela só tinha autorização para funcionamento até a 5ª Série do Ensino
Fundamental.
Ali casei e
tive meus filhos, sempre trabalhando 40 horas. Saí em 2002 para assumir a
Direção do I.E.E. Assis Brasil, onde fui eleita por dois mandatos. Nessa
Escola, também atuei na Supervisão dos Cursos EJA, Médio, Normal, Séries
Iniciais e Supervisão de Estágio.
Em 2008,
fui convidada para trabalhar no Departamento Pedagógico da 5ª CRE. Em 2010, me
aposentei de uma matrícula, mas permaneci como Especialista em Educação. Com o
convite do Diretor Alder Castagno, em 2011, assumi a Supervisão Escolar da
E.E.E.M. Nossa Senhora de Lourdes, onde atuei até fevereiro de 2015 quando, a
convite de minha Diretora atual, Profa. Lia, assumi novo desafio em minha vida
pessoal e profissional: trabalhar com adolescentes privados de liberdade que
cumprem medidas sócio-educativas.
De todos os
espaços por que passei, hoje, tenho somente lembranças positivas, aprendizados,
amizades e respeito, enfim, “plena realização docente”.
2) Ao longo
desses anos, como professora da rede pública estadual, quais foram seus maiores
desafios?
- Foram
muitos, mas como sempre trabalhei com equipes que acreditavam na Educação,
muitos desafios foram vencidos, tais como:
- Transformar
uma Escola de Ensino Fundamental Incompleto em Escola de Ensino Fundamental
Completo; substituir todas as salas Brizoletas por alvenaria; criação de uma
Classe Especial. E, onde era um matagal, no fundo da escola, com a ajuda da
comunidade local, construímos uma quadra de esportes completa.
- Q.P.E.:
Momento terrível em que tive que entregar 13 fonos de desligamento de professores.
Todavia, por nossa luta, dia após dia, todos retornaram. Para minha satisfação,
alguns que vieram de outras escolas não quiseram sair, pois gostaram da escola
e de seu ambiente.
- Outro
desafio foi assumir a direção da maior escola da 5ª. CRE, o I. E. Assis Brasil,
com 4.000 alunos e várias modalidades de ensino. Novamente, uma super equipe me
ajudou na tarefa, mas não posso furtar-me de lembrar o nome de duas colegas:
Gilda Maria Brizolara Domingues e Maria Francisca.
- Já na 5ª.
CRE, sempre me coloquei no lugar dos diretores, pois não poderia negar todo o
meu passado. Lá encontrei uma pessoa muito especial, com quem trabalhava em
parceria total e com quem aprendi muito: minha amiga Profª Jossiane Fenalti.
-No
“Lourdinha” foi um trabalho muito bom, uma escola pequena, onde também tive a
felicidade de conhecer a nossa querida Orientadora Educacional, Profª Suzana
Correa. Nossa sintonia foi imediata. Muito trabalho para implantar o E. M.
Politécnico, mas com o olhar do nosso Diretor Alder, tudo fluiu.
Em todos os
espaços, muita dificuldade de R.H., falta de verbas e espaço físico, além de
estrutura inadequada, principalmente a falta de investimentos e interesse de
nossos governantes para com a Educação.
3) Escutarmos,
com freqüência, um discurso de insatisfação em relação à educação. Ainda é
possível acreditar na educação pública do nosso estado?
- Acredito
que minhas respostas dos itens 01 e 02 já dizem tudo. Um país precisa de
cidadãos críticos, capazes de promover a justiça social. Como disse Paulo
Freire: Educação para a mudança, para a autonomia e para a liberdade. Sim,
acredito que um dia políticos e sociedade vão perceber que a Educação é o maior
investimento de uma nação séria.
4) Com relação
à nossa escola, quais são os maiores desafios e metas?
- Trabalhar
com base em uma educação democrática e humanística, contribuindo para a
reintegração e reinserção do educando na sociedade, auxiliando o
desenvolvimento da prática de valores morais e éticos.
Assegurar
aos adolescentes e jovens em conflito com a lei, oportunidade de progredirem em
seu itinerário escolar, trabalhar a área da espiritualidade, não como uma
religião específica, mas desenvolvendo
cidadania, por sermos sensíveis ao que há de nobre no ser humano, que é a
ética. Ética como parte da filosofia, dedicada aos estudos dos valores morais.
Não
esquecendo que temos um educando em conflito com a lei, sob nossa
responsabilidade, mas acreditar que é possível modificar esse adolescente. A
prática começa por todos nós.
Buscar
encontros de qualificação em serviço. Formação continuada. E termos claro a
nossa responsabilidade diante do Ministério Público e Juizado da Infância e
Juventude, assim como promover um trabalho integrado entre CASE e Escola.
5) Repetência,
evasão, distorção idade/série, taxa de escolarização abaixo da desejada, tudo
isso ainda é problema? Há como resolvê-los?
- Sim, no
momento em que nossos governantes e a sociedade olharem a Educação como
prioridade. Que possamos ter uma escola atrativa, equipada e RH recebendo o que
é de direito, com dedicação exclusiva em uma única escola.
6) A
criminalidade entre jovens atinge nossa sociedade de maneira cruel. Alguma
sugestão de como resolver essa calamidade?
- Uma escola
em que o aluno tenha prazer em permanecer, com ginásio para atividades
esportivas, laboratórios de informática, salas de aulas equipadas, biblioteca
funcionando em tempo integral, atividades lúdicas (xadrez, teatro e outras) e,
o mais importante, “professores respeitados” pelos governos (recebendo o Piso
Salarial do Magistério).

A E.E.E.M Dom Antônio Zattera, está de parabéns de ter em sua equipe uma supervisora pedagógica com toda a experiêcia da professora Beth.
ResponderExcluir